Definir a forma
Uma equação combina ondulações radiais e angulares numa superfície contínua.

UMA NOVA ABORDAGEM CINEMÁTICA
Uma superfície programável.
Uma nova abordagem ao movimento.
Novos horizontes para o espaço.
Uma superfície matemática.
Um princípio físico.
Um horizonte mais amplo.
01 — O CONCEITO
O CREATIO explora uma superfície sinusoidal circular cuja forma pode variar no tempo. A deslocação das suas ondulações cria um padrão de rotação, sem exigir a rotação rígida de toda a superfície.
As depressões sucessivas podem guiar uma esfera ao longo de uma trajetória circular. É a evolução da geometria de contacto que permite explorar o transporte de massa por deformação.
Uma equação combina ondulações radiais e angulares numa superfície contínua.
A alteração das fases desloca o padrão de cristas e depressões.
A interação entre a superfície e a massa transforma a deformação em transporte.
A superfície CREATIO é descrita pela parametrização em coordenadas cartesianas. O parâmetro mede a distância ao raio interior na superfície de referência; é a coordenada angular e representa o tempo.
A ondulação combina uma componente radial e uma componente angular:
A inclinação transforma o plano radial–vertical. Definindo o raio projetado:
No caso de referência , a expressão reduz-se a:
é a amplitude; e são os números de ciclos radial e angular. As fases e e a inclinação são funções reais do tempo. Todos os ângulos nas equações são expressos em radianos. O seletor da visualização apresenta graus e converte-os internamente.
A periodicidade angular é assegurada por : os extremos e representam a mesma posição. Na família inclinada considera-se .
Na animação, uma fase pode variar linearmente; a inclinação pode oscilar sinusoidalmente:
Aqui, é a taxa de variação da fase, a frequência angular da oscilação e a amplitude angular não negativa, com . A fase radial admite a mesma lei linear. Estes modelos descrevem a evolução geométrica; não constituem uma simulação das forças de contacto.
Altere a geometria e anime a deformação. Amplitude inicial: A = 0,18, metade do valor anterior. Raios fixos: R₀ = 0,68 e R₁ = 2,40, em unidades do modelo.
A fase selecionada varia no tempo; os seletores definem o valor de partida. A animação da inclinação oscila em torno de γ com amplitude até 15°. A velocidade define a taxa de variação da fase ou a frequência da oscilação.
A imagem de abertura é uma interpretação visual do conceito. Esta figura é calculada a partir da equação e não simula a dinâmica do contacto com uma esfera.
02 — DESENVOLVIMENTO
Um princípio geométrico. Diferentes formas de o materializar.
CREATIO SURFACE — O protótipo
Estrutura em acrílico maciço, pinos em latão e esfera metálica. A superfície CREATIO rígida, no interior da estrutura, transforma a rotação da base no movimento vertical dos pinos.
A rotação da superfície CREATIO desloca os pinos verticalmente e faz avançar as cavidades de apoio. Uma esfera metálica acompanha esse movimento e completa uma volta de 360°.
Simulação dinâmica exploratória sobre os pinos do modelo CAD: esfera de Ø28 mm (≈90 g), gravidade e atrito de referência μ = 0,15. A trajetória resulta das forças de contacto; os contactos arredondados e a sua deformabilidade são aproximados. O resultado numérico não constitui validação experimental.
Explorar o transporte da esfera no caderno técnico
Visualização do mecanismo com a esfera apoiada na superfície discreta de pinos.

Vista gerada diretamente dos 574 sólidos do STEP: 560 pinos e 14 componentes, incluindo as duas placas guia, a superfície CREATIO, o eixo, os espaçadores, os apoios e a estrutura. As peças são separadas por translação, preservando a sua geometria.
Conjunto montado: visualização fotorrealista ilustrativa. Vista explodida: geometria do STEP original. A esfera e os parafusos M4 acrescentados à imagem montada não constam desse ficheiro.
Uma superfície rígida sinusoidal, uma placa perfurada e uma matriz de pinos. A rotação da base produz deslocamentos verticais nos pinos, reproduzindo discretamente a ondulação e permitindo observar o transporte de uma esfera.
Neste mecanismo, a base roda fisicamente. É um demonstrador do princípio geométrico.
Uma membrana flexível suportada por uma matriz de atuadores lineares. O objetivo é controlar localmente a deformação e reproduzir o padrão móvel sem rotação mecânica da base.
Uma linha de investigação sobre a deformação controlada de membranas sem contacto mecânico direto entre atuador e membrana. As abordagens magnética, eletrostática e acústica são algumas das possibilidades a avaliar, considerando a deformação alcançável, o tempo de resposta, o consumo energético e a adequação à aplicação pretendida.
03 — HORIZONTES
Estudar como as fases radial e angular podem orientar trajetórias e posicionar massas sobre uma superfície.
Investigar a interação entre superfícies complementares e a transferência de movimento através da sua geometria.
Avaliar o potencial da redistribuição interna de massa para controlo de atitude, respeitando a conservação do momento angular.
Aplicações propostas para investigação. A viabilidade exige modelação dinâmica, medição de forças, consumo energético e validação experimental.
CREATIO / APLICAÇÕES ESPACIAIS
A arquitetura proposta usa duas membranas Active Skin sincronizadas, simétricas em relação ao plano de uma massa esférica confinada. Atuadores piezoelétricos propagariam deformações controladas para guiar a esfera. Trata-se de um conceito de investigação, ainda não de um sistema de controlo de atitude qualificado para voo.
Uma base sinusoidal rígida em rotação aciona pinos guiados verticalmente. As cavidades móveis ilustram o transporte de uma esfera por um perfil de contacto variável. O mecanismo e a simulação aqui apresentados não constituem ensaios em microgravidade nem de controlo de atitude em malha fechada.
Ver mecanismo e simulação →A base rotativa seria substituída por duas membranas estacionárias e programáveis com uma matriz de atuadores. Propõe-se confinamento simétrico para manter o contacto com a esfera em microgravidade. Atuação, sensores, comportamento térmico e deslocamento alcançável ainda exigem estudo.
Explorar o conceito tecnológico →O movimento interno de massa pode trocar momento angular com a estrutura, mas não altera o momento angular total de um satélite isolado. Uma reorientação útil e repetível, o consumo e a gestão do momento exigem um modelo dinâmico acoplado e medições.
Consultar investigação relacionada →CONDIÇÃO GEOMÉTRICA INICIAL
A lei CREATIO original é comandada numa região localizada em torno da esfera em cada membrana sincronizada. Os restantes atuadores regressam à posição neutra; a transição entre as zonas ativa e adormecida ainda tem de ser resolvida.
D = 2A + ε
D é o diâmetro da esfera; A é o deslocamento máximo de cada membrana para fora do seu plano neutro; ε é a separação residual entre as membranas neutras.
Nos centros alinhados das cavidades, esta é uma primeira condição de dimensionamento vertical, não uma prova de acomodação ou confinamento estável. Largura, curvatura, tolerâncias, contacto e dinâmica acoplada carecem de validação.
CREATIO ACTIVE SKIN / CUBESAT 2U
Dois módulos opostos, cada um com uma única membrana ativa voltada para a esfera. A vista explodida distingue as membranas, os atuadores e a estrutura de suporte.

PERCURSO DE VALIDAÇÃO TECNOLÓGICA
Para avaliação técnica ou uma possível parceria de investigação: contactar o autor.
04 — LITERATURA CIENTÍFICA
Quatro estudos prioritários informam a atuação distribuída, o contacto esférico, o transporte por onda e a programação magnética da forma. Cada implicação é um ensaio proposto, não uma validação do CREATIO.
Nove artigos distintos · Atualizado em 25 setembro 2026 · Quatro em destaque, cinco no arquivo
Atuação eletromagnética distribuída · Revisto por pares
Nature Communications · 21 setembro 2026
Um elastómero com seis braços e canais de metal líquido foi acionado por forças de Laplace num campo magnético estático. Os autores demonstraram mais de nove modos de locomoção e transições inferiores a 0,35 s.
A própria pele poderá integrar condutores distribuídos. No CREATIO, importa testar se a arquitetura reproduz uma cavidade local controlada; o artigo não demonstra uma membrana sinusoidal nem controlo de atitude.
Contacto esférico e pré-carga · Revisto por pares
Advances in Mechanical Engineering 18(9) · 8 setembro 2026
Três estatores de onda viajante contactam uma esfera de 150 mm. Apoios flexíveis de 0,4 mm e molas reguláveis melhoraram a adaptação do contacto; os ensaios atingiram 42°/s sem carga e 0,64 N·m de binário de bloqueio sob pré-cargas específicas.
Para duas Active Skins opostas, medir a janela de força normal, escorregamento e potência em função da folga residual δ. Os resultados do rotor são uma referência de desenho do contacto, não uma previsão de desempenho do CREATIO.
Superfície programada por luz · Experimental
Nature Communications 17, 3613 · 2026 · Revisto por pares
Luz UV e visível remodelam um filme de hidrogel em tempo real. Os autores transportaram uma esfera de vidro de 5 µm por 25 µm em 25 s e demonstraram uma onda viajante capaz de transportar várias partículas.
Um análogo experimental para o transporte por fase da superfície. Testar se uma cavidade CREATIO móvel mantém o confinamento durante o avanço da onda; o resultado micrométrico em meio líquido não demonstra o desempenho com uma esfera macroscópica.
Membrana magnética · Pré-publicação experimental
arXiv:2606.21716 · junho de 2026 · Pré-publicação (sem revisão por pares)
Uma membrana de NdFeB–PDMS com magnetização programada formou um perfil sinusoidal reversível sob um campo externo. A forma foi medida por perfilometria ótica e a mistura num microcanal foi demonstrada a 2 Hz e até 120 mT.
Sugere uma via de fabrico e medição para uma membrana sinusoidal acionada sem contacto. Os ensaios são de mistura de fluidos à microescala e usam um íman externo em rotação; não demonstram transporte circular de uma esfera nem controlo de atitude espacial.
DO BRIEFING AOS ENSAIOS
Preservar a formulação da superfície CREATIO e comandar apenas a região necessária para alojar uma esfera, mantendo o resto com amplitude próxima de zero. Para duas peles opostas e simétricas, usar Desfera = 2A + δ como relação geométrica de trabalho e variar δ experimentalmente para determinar uma janela útil de folga e pré-carga. Trata-se de uma hipótese de desenho CREATIO, não de um resultado dos artigos citados.
A aplicação espacial exige ainda balanço de momento angular do sistema completo e medições por massa, potência e volume; nenhum artigo citado valida o CREATIO como equipamento ADCS.
CubeSat · Ensaio em microgravidade · Preprint
arXiv:2501.17173 · 2025
Um modelo à escala 3U executa sequências de articulação numa torre de queda. As medições permitem avaliar e corrigir o modelo dinâmico da reorientação.
É a referência mais direta para planear a validação de uma aplicação espacial do CREATIO: relacionar movimentos internos e orientação global. O mecanismo estudado usa corpos articulados; a adaptação a uma membrana requer um modelo próprio.
Veículos espaciais · Simulação numérica
Astrodynamics 8, 47–60 · 2024
Estuda a otimização da configuração e a atuação de articulações para controlar a atitude de veículos transformáveis sob pressão de radiação solar, com avaliação por simulação.
Oferece métodos de referência para coordenar geometria e controlo. A pressão solar introduz forças e momentos externos: os resultados não podem ser transpostos diretamente para uma CREATIO Active Skin num sistema isolado.
Exploração planetária · Simulação numérica
2025 IEEE Aerospace Conference
Propõe dois robôs ligados por um cabo. O controlo preditivo ajusta membros e comprimento do cabo para modificar os momentos de inércia e estabilizar a orientação durante saltos em baixa gravidade.
Ajuda a enquadrar a redistribuição de massa como variável de controlo. Pode orientar a modelação das massas transportadas pelo CREATIO, embora estude robôs articulados e não uma superfície sinusoidal.
Pele ativa flexível · Experimental
Nature Communications 16, 5575 · 2025 · Revisto por pares
Uma pele pneumática com 12 saliências gerou translação e movimento horário/anti-horário mediante sinais defasados. Nos ensaios, um atuador de 2,94 g transportou um objeto de 227 g; o controlo visual guiou trajetórias complexas.
Referência para sequenciação de fases, contacto, carga e seguimento em malha fechada num protótipo de bancada. Medir força, escorregamento e erro de trajetória; a atuação pneumática e o transporte dependente do atrito diferem da geometria CREATIO.
Memória mecânica · Revisto por pares
Physical Review E 114, 035508 · 17 setembro 2026
Cascas pneumáticas simétricas biestáveis conservaram estados discretos. Três atuadores acoplados acederam aos oito estados globais, com validação numérica e experimental.
Sugere uma possibilidade de manter regiões adormecidas sem alimentação contínua. A sua aplicação a uma cavidade CREATIO móvel permanece uma hipótese de arquitetura.
05 — A ORIGEM DO CONCEITO
O CREATIO nasce de uma prática de projeto em que a matemática aproxima a intenção do desenho da precisão do fabrico. Antes de se tornar uma investigação sobre movimento, foi uma forma de pensar e construir superfícies.

A forma Unda foi apresentada pela primeira vez ao público no âmbito da 1.ª edição do projeto «Remade in Portugal», em 2007. A peça deu origem à exploração matemática da superfície. Fotografia fornecida pelo autor do projeto; fundo adaptado para esta apresentação.
No desenvolvimento da peça Unda, Álvaro Siza propôs a Pedro Simões a definição de uma superfície a partir de quatro curvas de fronteira de natureza sinusoidal. O desafio consistia em construir a geometria interior e encontrar as proporções adequadas, mantendo liberdade para ajustar a forma durante o processo de projeto.
A resposta foi descrever a superfície através de uma equação com parâmetros de forma. Alterar esses parâmetros permitia explorar uma família de geometrias sem reconstruir cada modelo. Esta abordagem deu origem à metodologia Design Math Approach (DMA), desenvolvida por Pedro Simões para relacionar a definição matemática da peça com a sua produção.
A metodologia estendeu-se à definição dos percursos de maquinação e à programação paramétrica em G-code. Aplicações desenvolvidas em Java/JavaFX permitiram visualizar as superfícies, ajustar parâmetros e verificar a relação entre a geometria, a ferramenta e o percurso de fabrico. Em determinadas aplicações, o código de maquinação podia ser exportado diretamente.
Uma nova exploração consistiu em curvar a superfície Unda ao longo de 360 graus e formular a correspondente geometria anular: a CREATIO Surface. O passo seguinte foi introduzir o tempo nos parâmetros. Ao variar a fase angular, o padrão de ondulações parecia rodar, embora a transformação pudesse ser descrita como uma evolução da forma.
Essa observação conduziu à hipótese de uma membrana cuja deformação programada pudesse guiar uma massa ao longo de uma trajetória circular. Um demonstrador com superfície rígida, placa perfurada e pinos permitiu explorar fisicamente o princípio. A CREATIO Active Skin e a atuação magnética prolongam essa investigação, procurando substituir a rotação da base pelo controlo local da deformação.
06 — O AUTOR
1995 — 2001
Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto — FEUP
Licenciatura em Engenharia Mecânica, opção de Fluidos e Calor. O projeto de fim de curso abordou a autossuficiência energética de um abrigo de montanha através do aproveitamento de fontes de energia endógenas.
2004 — 2007
FEUP + ESAD
Investigação sobre a aplicação de pó de madeira na produção de protótipos segundo os princípios do fabrico aditivo. O trabalho aproximou o conhecimento dos materiais, os processos de produção e a experimentação em design.
2001 — 2003
INEGI · Porto
Como engenheiro técnico júnior, trabalhou na instalação e manutenção de equipamentos de medição meteorológica, na transmissão remota de dados e no tratamento de séries temporais. Participou em estudos de potencial eólico e de viabilidade de parques eólicos, relacionando medição em campo, análise e avaliação técnica.
DESDE 2003
SPSS, Lda. · Vila Nova de Gaia
Na SPSS, o seu trabalho acompanha o ciclo de desenvolvimento do produto: interpretação do conceito, modelação CAD 3D, prototipagem, preparação técnica e produção. A coordenação de projetos multidisciplinares inclui colaboração com Álvaro Siza Vieira, Eduardo Souto de Moura e outros arquitetos nacionais e internacionais.
A integração de maquinação CNC e tecnologia laser na produção, a programação de equipamentos e o desenvolvimento de modelos paramétricos são componentes centrais deste percurso. O trabalho envolve materiais como madeira, metais, cortiça e compósitos, articulando processos digitais com conhecimento de oficina.
Cofundador da marca SPSS Design Studio, participa na conceção e execução técnica da linha «S.», que reúne mobiliário de coleção, objetos de design e esculturas. Desenvolve também aplicações em Java/JavaFX e algoritmos que apoiam tanto o projeto como a organização e o controlo da produção.
É desta experiência entre desenho, cálculo e fabrico que emerge o CREATIO: uma investigação independente em que a equação é simultaneamente uma ferramenta de exploração da forma e um ponto de partida para estudar o movimento.
A forma como ponto de partida.
O movimento como possibilidade.