CREATIO · Pedro Simões

CT–01 · NOTA TÉCNICA

Formalização matemática

Versão 0.1 · 19 setembro 2026 · Formulação preliminar para revisão

Esta nota sistematiza a parametrização CREATIO e propõe uma primeira estrutura de análise. As relações cinemáticas resultam da regra da cadeia; o modelo dinâmico abaixo é uma aproximação de massa pontual sobre uma superfície de movimento prescrito.

1. Geometria e parâmetros

A superfície CREATIO é descrita pela parametrização c(α,R,t) em coordenadas cartesianas. O parâmetro R mede a distância ao raio interior na superfície de referência; α é a coordenada angular e t representa o tempo.

0<R0<R1,ΔR=R1−R0R∈[0,ΔR],α∈[0,2π]A≥0,Kr,Ka∈N>0,t≥0

A ondulação combina uma componente radial e uma componente angular:

W(α,R,t)=Asin⁡(2πKrRΔR+φr(t))cos⁡(Kaα+φa(t))(1)

A inclinação γ(t) transforma o plano radial–vertical. Definindo o raio projetado:

ρ(α,R,t)=R0+Rcos⁡(γ(t))−W(α,R,t)sin⁡(γ(t))(2)
c(α,R,t)=(ρ(α,R,t)cos⁡(α)ρ(α,R,t)sin⁡(α)Rsin⁡(γ(t))+W(α,R,t)cos⁡(γ(t)))(3)

No caso de referência γ≡0, a expressão reduz-se a:

c(α,R,t)=((R0+R)cos⁡(α)(R0+R)sin⁡(α)W(α,R,t))(4)

A é a amplitude; Kr e Ka são os números de ciclos radial e angular. As fases φr(t) e φa(t) e a inclinação γ(t) são funções reais do tempo. Todos os ângulos nas equações são expressos em radianos.

A periodicidade angular é assegurada por Ka∈N>0: os extremos α=0 e α=2π representam a mesma posição. Na família inclinada considera-se −π2≤γ(t)≤π2.

Na animação, uma fase pode variar linearmente; a inclinação pode oscilar sinusoidalmente:

φa(t)=φa(0)+ωt(5)
γ(t)=γ0+Gsin⁡(Ωt)(6)

Aqui, ω é a taxa de variação da fase, Ω a frequência angular da oscilação e G a amplitude angular não negativa, com |γ0|+G≤π2. A fase radial admite a mesma lei linear. Estes modelos descrevem a evolução geométrica; não constituem uma simulação das forças de contacto.

2. Regularidade e orientação da superfície

Admite-se uma parametrização duas vezes continuamente diferenciável no domínio de análise. A normal unitária é definida nos pontos regulares por:

n=cα×cR‖cα×cR‖,‖cα×cR‖>0(7)

Os índices α e R indicam derivadas parciais. A normal pode ser invertida para apontar para o lado acessível à massa. A regularidade local, a ausência de auto-interseções e os limites de deformação devem ser verificados para cada conjunto de parâmetros.

3. Cinemática: superfície, padrão e massa

Considere-se q = (α, R) e a trajetória x(t) = c(q(t), t). Nos índices seguintes, q₁ = α e q₂ = R; índices repetidos i, j representam somas de 1 a 2. As derivadas temporais parciais são calculadas mantendo q fixo.

x˙=ct+ciqi˙(8)
x¨=ctt+2ctiqi˙+cijqi˙qj˙+ciqi¨(9)

Aqui cᵢ = ∂c/∂qᵢ, cᵢⱼ = ∂²c/(∂qᵢ∂qⱼ), cₜᵢ = ∂²c/(∂t∂qᵢ) e cₜₜ = ∂²c/∂t². Os pontos sobre q indicam derivadas totais no tempo. A velocidade cₜ é a velocidade da parametrização a coordenadas fixas; só coincide com a velocidade material da membrana se essas coordenadas identificarem pontos materiais.

Para Kₐ constante e uma fase angular constante do padrão, Kₐαₚ + φₐ(t) = constante, obtém-se:

α˙p=−φa˙Ka(10)

Esta é a velocidade angular do padrão de fase. Não determina a velocidade de uma esfera nem garante que esta acompanhe uma cavidade. A sua trajetória depende das condições iniciais, das forças e do contacto.

4. Modelo dinâmico inicial

Hipóteses: referencial inercial; superfície prescrita; massa pontual m constante; contacto mantido numa região regular; reação normal ideal. A deformação da membrana causada pela carga e a dinâmica dos atuadores não estão incluídas nesta primeira aproximação.

T=m2‖ct+ciqi˙‖2,L=T−V(11)
ddt(∂L∂qi˙)−∂L∂qi=Qi(12)

V(q,t) é a energia potencial avaliada sobre a superfície. Qᵢ = fₙ꜀ · cᵢ representa a força generalizada não conservativa. Para deslizamento ideal sem atrito e sem outras forças não conservativas, Qᵢ = 0. Em gravidade uniforme, V = −m g · c. Como a superfície se move, a energia mecânica da massa não é, em geral, conservada: há trabalho da atuação.

mx¨=mg+Nn+fτ,N≥0(13)

Nesta escrita, N é a reação normal e fτ é a força tangencial de contacto; consideram-se apenas gravidade e contacto. Se a solução exigir N < 0, o contacto unilateral deixa de ser admissível e deve ser tratada a separação. Uma esfera de raio finito exige uma superfície deslocada para o centro, inércia de rotação e uma lei de atrito/rolamento: não se identifica o centro da esfera com c.

5. Extensão aeroespacial

HO˙=τext,O(14)

Hₒ é o momento angular total e τext,O o momento das forças externas, ambos relativos a uma origem O fixa num referencial inercial. O sistema completo deve incluir estrutura, membrana, atuadores e massas móveis. Na ausência de momento externo, Hₒ conserva-se; movimentos internos podem redistribuir momento angular e alterar a orientação. O cálculo da atitude requer um modelo acoplado, não apenas a animação geométrica.

Em microgravidade, o mecanismo que mantém as massas em contacto deve ser explicitado — por exemplo, confinamento mecânico ou interação magnética modelada. As hipóteses desta nota são propostas de trabalho, não resultados de validação do CREATIO.